• Yuri Ribeiro

Bem-vindos ao futuro: sem modelos, marca aposta em desfile 3D transmitido por live

Anifa Mvuemba, diretora criativa da grife Hanifa, inovou ao apresentar a coleção Pink Label Congo, totalmente adaptada ao contexto atual

As semanas de moda vão acabar? Os desfiles vão perder o sentido? Esse é um formato que ainda vai se manter? Como serão os desfiles de moda daqui a alguns anos?

Essas eram perguntas que todos nós já ouvíamos, e também nos fazíamos, ao longo dos últimos anos. Mas, com o cenário de pandemia, elas se tornaram ainda mais frequentes. Pensar em respostas para esses questionamentos passou a ser imperativo.

Os formatos dos eventos de moda, que começaram com os primeiros desfiles de ateliers e estilistas ainda no início do século XX, e que no Brasil atingiram seus tempos áureos entre meados da década de 1990 e anos 2010 com as semanas de moda, pareciam, nos últimos tempos, não se adaptar mais a realidade de uma sociedade cada vez mais conectada. A experiência de um desfile continuava as mesmas para consumidores que foram transformando sua relação com a moda (e maneira de consumi-la) ao longo do tempo. Esse cenário pôs em cheque a sobrevivência de modelos tradicionais vigentes na moda.

Não é de hoje que vejo marcas e consumidores se questionando se os desfiles de moda vão acabar. Quem é meu aluno já me ouviu falar muito isso e, agora, volto a pontuar aqui: os desfiles de moda não vão acabar! Acredito que a forma como nós vamos consumi-lo é que vai se transformar significativamente. Pois a necessidade de apresentar um produto e envolver o público vai continuar existindo. Como fazer isso, diante dos cenários e contextos que estamos inseridos (e que não são os mesmos de décadas atrás) é o grande desafio.


O momento de pandemia que estamos passando chegou para acelerar as mudanças já previstas e cogitadas para a moda. O futuro já chegou e já é presente. Um prova disso? A marca Hanifa, que já vestiu celebridades como Cardi B, Lizzo, Angela Simmons e Kelly Rowland, apresentou a sua nova coleção Pink Label Congo em um formato completamente inovador: em um desfile 3D apresentado em uma live no Instagram. A apresentação não conta com plateias e nem mesmo, acredite, modelos.

Uso do 3D computadorizado já é uma realidade da marca. Em comunicado oficial a imprensa ante do desfile, a diretora criativa da grife, Anifa Mvuemba, disse: “Criamos para mulheres sem limitações. Descobri que o mundo 3D me deu um lugar para inovar. É importante acreditar em si mesmo, amar o que faz e deixar a paixão inspirá-lo”.

Para a publicação Teen Vogue, Mvuemba disse que os modelos 3D vão guiar os próximos passos da marca. “Projetar conteúdo usando modelos 3D e agora uma coleção inteira mudou completamente o meu jogo”, disse ela, acrescentando que esse pode ser um modelo que poderá influenciar positivamente a marca e a moda, “Minha decisão de continuar pode impactar nossos clientes para melhor das maneiras que nunca imaginei”.

Ainda em entrevista à Teen Vogue, Anifa Mvuemba também comentou sobre o Instagram como uma ferramenta para democratizar o acesso a moda. “Sabemos que algumas pessoas podem nunca experimentar uma semana de moda ou uma vitrine de Hanifa, então queríamos aparecer para o nosso público onde elas apareciam para nós diariamente. Foi quando o Instagram se tornou a escolha óbvia “.

No vídeo transmitido, onde o desfile é apresentado, Anifa Mvuemba fala de sua inspiração para a coleção, que é a história do país onde nasceu, a República Democrática do Congo. A coleção celebra a beleza do Congo, chamando a atenção para os problemas enfrentados pelas pessoas no local, como a mineração ilegal.

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