• Yuri Ribeiro

Em tempos de quarentena, ensaios via mobile são alternativa para criar imagens de moda

Isolamento social não tem sido um impedimento para shootings. À distância, marcas e fotógrafos seguem capturado imagens através de chamadas de vídeo.

“Um celular na mão e uma ideia na cabeça!”, em tempos de pandemia e isolamento social, podemos parafrasear, e atualizar, dessa forma o que disse o cineasta brasileiro Glauber Rocha, em meados da década de 1960.

O momento que o mundo está passando, hoje, transformou nossas rotinas e nos colocou ainda mais diante de telas. Com o isolamento social imposto pelas circunstâncias, computadores e smartphones, já intimamente conhecidos por nós, passaram a materializar uma nova experiência no processo de construção de imagens: ensaios e editoriais feitos remotamente.

De um lado, um fotógrafo dando os direcionamentos via chamada de vídeo. Do outro, alguém seguindo as instruções e modelando para a tela. A estratégia vem sendo usada, em meio a pandemia, por revistas, influenciadores e, principalmente, por marcas, que seguem com a necessidade de produção e veiculação de imagens de moda.

Em abril, Bella Hadid foi fotografada, via chamada de vídeo, pela Vogue italiana enquanto permanecia em seu isolamento social. Depois disso, ela também protagonizou uma campanha remota para a grife do estilista francês Simon Porte Jacquemus. Bella e Barbie Ferreira pousaram, através de seus smartphones, para o fotógrafo Pierre-Ange Carlotti usando itens da coleção summer 2020.

No Brasil, Paulinha Sampaio foi uma das primeiras influenciadoras a publicar um ensaio feito através de chamada de vídeo. Ela foi clicada pelo fotógrafo Higor Blanco, que, a distância, fez todo o direcionamento do ensaio. Também tem produzido shootings nesse formato os fotógrafos Rodolfo Corradin e Lineker Lenhard.

Já nessa semana, foi a vez da C&A, que anunciou sua nova campanha também feita remotamente. O ensaio, produzido sob a direção criativa do site Garotas Estúpidas, contou com cliques do fotógrafo João Arraes, maquiagem de Nathalie Billio, styling de Michael Vendola.

Depois de atravessarmos o período analógico e o boom das selfies, é real, chegamos a fotografia remota. Essas imagens, em termos de qualidade, não são as mesmas se comparadas com aquelas feitas por uma câmera, é claro. Mas, esse tipo de fotografia chega para possivelmente demarcar uma estética. Os pixels, muitas vezes inerentes às telas, se sobrem saem sem gear incômodo. E assim, olha que curioso, na era da ode à perfeição, estamos lidando com a beleza da imperfeição das imagens.