• Yuri Ribeiro

Movimentos #PretosNaModaBR e #ModaRacista expõem casos de racismo na indústria da moda

Após campanhas antirracistas ganharem o mundo, moda brasileira teve sua faceta preconceituosa exposta na internet através de profissionais do segmento.

As últimas semanas foram marcadas por movimentos antirracistas que engajaram milhares de pessoas em todo mundo. O “Black Tuesday” e o “Black Lives Matter” configuraram entre os assuntos mais comentados das redes sociais e trouxeram à tona práticas racistas que persistem nos dias de hoje. No Brasil, a onda de protesto respingou na moda, que teve sua faceta preconceituosa exposta na internet.

Nomes conhecidos do mercado da moda viram suas redes sociais serem tomadas por contestações de modelos, alegando que suas condutas reais eram bastante diferentes da posição que adotavam nas mídias sociais. Nomes como Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho foram alvo nas redes, e receberam enxurrada de mensagens de protesto.

Os relatos começaram a ganhar o país, e as redes sociais, através da vozes das modelos brasileiras Thayná Santos, Camila Simões e Cindy Reis, que juntas se engajaram no movimento #PretosNaModaBR. Elas ganham apoio e logo outras profissionais se uniram a elas em busca por igualdade e respeito.

Thayná Santos

Natural de Barra do Piraí (RJ), Cindy Reis, de 20 anos, contou que além de combaterem o racismo estrutural, o movimento visa contestar a padronização de biotipos no mercado e dar espaço real para uma diversidade genuína e respeitosa. “A necessidade e a vontade de que houvesse alguma iniciativa desse tipo sempre existiu, mas foi agora que tudo veio à tona. Vi minhas amigas de profissão relatando experiências semelhantes que tinham vivido, começamos a conversar e decidimos nos unir e lutar juntas”.

Cindy Reis

A modelo, que tem em seu currículo trabalhos na Europa e desfiles na São Paulo Fashion Week, pretende promover o debate de forma construtiva e solidificar mudanças tão necessárias. “O intuito é tornar públicas informações e vivências reais, pra que todos possam entender o quão problemático, cruel e enraizado pode ser o racismo. Levantar este debate é uma forma de evoluirmos neste caminho, para podermos conquistar uma participação mais efetiva em toda a indústria. Com esse movimento, esperamos que inclusão, reconhecimento e valorização aconteçam verdadeiramente”, finaliza Cindy.

Os relatos de episódios racista na moda também ganharam força no perfil no Instagram @modaracista. Desde que foi lançado, o perfil tem publicado histórias que acusam marcas, estilistas e maquiadores. Até o momento a conta já tem mais de 35mil seguidores e mais de 60 publicações que denunciam práticas racistas.

O outro lado

Reinaldo Lourenço

Em resposta a uma matéria da VEJA, Reinaldo Lourenço enviou o seguinte comunicado a cerca das acusações: “Eu errei. Tenho consciência de que me faltou empatia e compreensão em relação às modelos negras e aos outros profissionais de moda. Desculpem-me. As recentes críticas e observações de quem se sentiu constrangido em algum casting, backstage ou desfile suscitaram autorreflexão. Eu vou mudar, assim como o sistema da moda será obrigado a mudar também. Comprometo-me a promover inclusão efetiva, com mais modelos negras na passarela e nas campanhas. Quero contribuir para que as mulheres negras também sejam respeitadas como consumidoras da moda nacional. Não medirei esforços a fim de ampliar a representatividade e valorizar a diversidade racial brasileira por meio da minha marca. relação às modelos negras e aos outros profissionais de moda. Desculpem-me.”

Glória Coelho também rebateu às críticas com o seguinte comunicado.

Glória Coelho

“Sinto muitíssimo que qualquer menina tenha se sentido desprivilegiada ou sem acesso às mesmas oportunidades dentro da minha marca e do sistema de moda. Reconheço que por séculos a moda privilegiou padrões de beleza eurocentristas, e que eu ou pessoas da minha equipe no passado possamos ter compactuados com isso, ou sido interpretados dessa forma. Estou aqui me comprometendo a ser melhor, a garantir que minha equipe seja melhor. Está nas nossas mãos desmantelar o racismo sistêmico.

Eu tenho genuína e profunda admiração pela beleza, criatividade e ancestralidade afrodescendentes e indígena. Estou comprometida em ouvir, me educar, educar aos que me rodeiam, e incluir mais criatividade e diversidade em minha marca. Estou ouvindo todas vocês, e quero que tenhamos este canal aberto para fortalecermos essa luta e traçarmos um novo caminho, mais justo e inspirador, para a moda brasileira.

Glória também respondeu as acusações no perfil da modelo Thayná Santos

Me comprometo a incluir mais modelos afrodescendente, indígenas nos meus desfiles. Me comprometo a partir de agora.  Eu e minha equipe estamos unindo forças para ampliar nosso casting e garantir que todas as meninas tenham experiências positivas em castings e fittings.  Me comprometo a incluir meninas pretas em todas as campanhas futuras, e que o Instagram da marca represente igualmente pretas, índias, brancas, morenas e orientais.

Estamos também trabalhando para encontrarmos mais candidatos e candidatas afrodescendente para contratações nas áreas criativas, além das outras áreas da empresa. Esse já era um movimento que estávamos fazendo e vamos nos esforçar ainda mais.

Mais uma vez, peço perdão a quem eu magoei”.

#antirracista #modaracista #pretosnamoda #racismo