• Yuri Ribeiro

O saldo de 2020 é um 2021 sem grandes planos

Sem metas para um novo ano. O que vier, virá porque terá que vir!





Esse vai ser o primeiro ano que irei começar sem planejar nenhuma meta. Estranho? Para o meu “eu” de alguns anos atrás, que sempre foi de traçar cada passo dado, também! Acho que não poderia ser diferente depois de um ano que me subtraiu planos e a vontade de fazê-los.


Comecei esse ano que, enfim está terminando, com um pé atrás. Depois de um 2019 avassalador, na virada para 2020, me poupei de criar expectativas. Não queria continuar me frustrando por conta de alguns planos que, de forma abrupta, interromperam alguns outros.


Mas, ainda sim, quis arriscar (claro, ariano pé no chão e determinado) e, na época, tracei algumas pequenas novas metas pro ano que estava começando. Plannner novo, agenda nova, tudo certinho. Nada a longo prazo, claro, mas que me aliviariam substancialmente do baque do ano anterior.


Eis que me surge 2020. Três planos para o novo ano foram realizados logo de cara. Opa! Agora vai. No terceiro mês, minha listinha já continha mais check do que o previsto – estava orgulhoso. Porém, veio o baque. Pronto, não passou dali. Veio o quarto mês, crises de ansiedade. Veio o quinto mês, sensação de impotência. Veio o sexto mês, frustração. Eu me vi de mãos atadas diante dos planos que me fiz lá no comecinho.


Do meio do ano em diante (e depois de algumas terapias online) eu simplesmente me dei conta que: estava fora do meu controle a possibilidade de realizar alguns planos. Me agarrei a essa certeza para aliviar o peso da autocobrança. Não ia adiantar, estava eu e meus esforços de um lado e do outro um futuro completamente incerto e colocado nas mãos de outras pessoas e, claro, de uma pandemia.


Me caiu a ficha. Não damos as regras do jogo da vida.


2020 foi o ano para dá uma sacudida na gente. Veio com um: “Ei, quem tu pensa que é? Pera aí, você não tá no controle de tudo não. Aliás, para que essa pressa toda, mesmo? Calma lá!”


A gente vinha em um ritmo tão frenético, que acabamos nos cegando para muita coisa. Além de mostrar que não estamos no controle, o ano exigiu uma pausa e levou a gente a fazer uma peneira da vida, nos fazendo valorizar mais o que já temos e abrindo uma luz sobre o que e quem de fato importa. E por isso que, na verdade, temos muito o que agradecer a esse ano.




Cresci, amadureci, conquistei, mudei, realizei, vivi, chorei, sorri, amei. No fim das contas, sem ressentimento, ok 2020? No balanço geral, você até que foi generoso. É que pra chegarmos a novos e bons tempos, precisamos atravessar uma tempestade, não é mesmo? Você me fez entender que não posso abraçar o mundo com as pernas, que não tenho o controle de tudo e que nessa trajetória da vida eu devo me apegar ao que é essencial (o mantra do leve só o que for leve segue valendo).


Eu continuo aqui com meus sonhos e metas. Não desisti. Mas decidi, por hora, simplesmente esperar um pouco antes dos próximos passos. Aguardar pelas surpresas da vida e, claro pela vacina (ao contrário de uma galera aí, eu já tô cm a roupa de ir!). Logo logo teremos um futuro mais certo para poder sonhar e um planner novo cheio de novas metas.