• Yuri Ribeiro

O traje espacial dos tripulantes da SpaceX é coisa de cinema

Jose Fernandez, figurinista que já atuou no cinema, é o nome por trás da criação dos trajes utilizados pelos astronautas Doug Hurley e Bob Behnken

Em julho de 1960, a Nasa divulgava o programa espacial Apollo, que nove anos depois levaria o homem à lua. A década foi marcada pelo o que conhecemos de “corrida espacial”. Falar de futuro naquele momento era algo recorrente e indispensável. Materiais metalizados, plásticos, botas e peças de vestuário super construídas e paramentadas anunciavam um olhar futurista e vanguardista, que tornara-se vigente.

A moda não se eximiu do seu papel e passou a refletir o espírito do tempo. Abraçou o assunto do momento e refletiu o anseios de que quem viva com um pé no futuro. Paco Rabanne, Pierre Cardin e André Courrèges, foram alguns dos nomes responsáveis por criar a estética futurista que nos acompanharia nas décadas seguintes. Courrèges, inclusive, eternizou o visual com botas, óculos protetores e roupas em vinil e e chegou até mesmo a ser convidado para visitar o controle da missão da NASA.

André Courrèges eternizou a estética futurista na década de 1960

O futurismo na moda dos anos 1960

Bem, de lá para cá, continuamos falando de futuro e continuamos a assistir ao lançamento de outras missões para fora do planeta. A ideia de futurismo e o universo dos tripulantes espaciais sempre tiveram bem próximos. Os trajes usados por astronautas, que traziam camadas e camadas de isolamento e resfriamento, além de sistemas de mangueiras para bombeamento do ar, continuaram como símbolo máximo de futuro e tecnologia.

Neste fim de semana assistimos a mais um avanço em termos de missões espaciais. A Nasa se uniu a SpaceX para a primeira viagem tripulada e operada por uma empresa privada. A ida dos astronautas Doug Hurley e Bob Behnken ao espaço é marcada não somente pelo fim do monopólio governamental, mas também pela nova era dos trajes espaciais. O futuro, tão falado na década de 1960, chegou. E chegou de um jeito diferente, mais clean, minimalista e com uma pegada de cinema.

O traje espacial da vez é uma criação de Jose Fernandez, figurinista que já atuou no cinema em filmes como “Batman v Superman”, “O Quarteto Fantástico”, “Os Vingadores” e “X-Men II”. Fernandez foi convidado pelo bilionário Elon Musk, criador da SpaceX, a desenvolver os trajes do primeiro voo aeroespacial tripulado da companhia. Agora começou a notar semelhanças com o cinema, não é mesmo? Não é à toa! O traje deveria trazer funcionalidade e, ainda, sofisticação.

Esse pode ser o início para a “acessibilidade” das viagens ao espaço. Isso mesmo, há interesses privados por trás de viagem espacial. Em um futuro que talvez não demore tanto a chegar, civis poderão embarcar para fora do globo. Assim, levando isso em conta, deixar o viajante mais confortável e com um traje mais atraente e simplificado é algo que já começou a se pensar de agora.

O traje da missão da SpaceX foi desenvolvido para ser usado apenas dentro das aeronaves, em situações onde não há necessidade da conexão com outros adereços e ferramentas. “Uma das coisas que consideramos importante no desenvolvimento do traje era que ele fosse fácil de usar. A ideia era que a tripulação apenas plugasse ao sentar e o traje trabalhasse sozinho a partir daí e, claro, fosse uma parte do sistema operacional”, disse Chris Trigg, gerente do departamento de equipamentos e trajes da SpaceX, em uma entrevista.

O traje foi testado duas vezes e foram desenhados para serem peças únicas. Ele foi construído a partir de costuras aerodinâmicas que parte da região da clavícula até os joelhos. O prata e o alaranjado de outros tempos foi substituído pelo branco e pelo cinza. A roupa também reúne recursos que melhoram a funcionalidade da peça, logo ela também fornece pressão interna estável, mobilidade e oxigênio respirável; controle de temperatura; sistema de comunicação com conexão elétrica externa à espaçonave e, por fim, possibilidade de coletar resíduos corporais sólidos e líquidos.

Ainda segundo Chris Trigg, o traje não é só uma roupa, ele é parte do veículo. Possui um sistema que se integra com a espaçonave. Conta com um sistema de comunicação e controle embutidos e um cabo umbilical para conectar o tripulante com o assento e desempenhar diversas funções.

Quem diria, lá atrás, que a roupa espacial do futuro seria “enxuta”? Será esse o traje que usaremos para um bate e volta para ir em Marte em 2079? Bom, não sabemos precisar. Mas, sabemos dizer que sim, a soma de funcionalidade mais design, utilizadas na criação desse modelo, é o que vai definir cada vez mais nosso futuro.

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