• Yuri Ribeiro

Sobre quarentena e auto cobranças: você não “tem que” nada!

As redes sociais nos colocam diante de listas e mais listas de obrigações. Queremos mais do que nunca sermos produtivos. E que saber? Eu não tenho que nada!

Eu sempre me cobrei demais. E, agora, em meio a pandemia e quarentena, tenho notado que esse sentimento de auto cobrança se intensificou consideravelmente.

Acredito que posso não ser o único e, por isso, cá estou falando sobre isso.

Checklists diários sempre fizeram parte da nossa rotina – até aqui, então, nenhuma novidade. Mas, agora que fomos forçados a uma nova rotina e, consequentemente, uma nova realidade, as obrigações diárias parecem ter se multiplicado. Principalmente quando você, por conta do cenário e das próprias atividades cotidianas, está mais inserido nas redes sociais e nos conteúdos por lá gerados.

Ao abrir a tela do celular você se ver diante de coisas que lhe chegam como obrigações. Atividades e mais atividades. Conselhos e mais conselhos.

Faça um curso online. Leia um livro. Faça mais stories. Gere conteúdo. Faça uma live. Produza um IGTV. Faça uma conta no TikTok. Você tem que fazer uma live. Escreva um ebook. Assista a aula de yoga online. Faça exercícios físicos diários. Não coma besteiras. Se alimente bem. Faça um bolo. Grave uma receita. Maratone essas séries. Se arrume. Organize seu home office. Seja mais produtivo trabalhando em casa. Faça skincare. Hidrate e corte o cabelo.

Uma sequência de imperativos que vai se somando em uma lista mental interminável de “você tem que”.

Venho aqui ousar dizer, para você que, assim como eu, se ver angustiado com essa lista metal: você não “tem que” nada!

Cansado de não me sentir produtivo e útil como todas as pessoas que estão seguindo um manual de sobrevivência durante a quarentena, no último fim de semana me permiti não seguir a lista “tem que”. Deixei o dia correr e, acredite, me senti realmente leve e útil como até então, em mais de um mês em isolamento e home office, eu nunca havia me sentido. Fiz exatamente aquilo que eu queria fazer, sem me cobrar ou seguir conselhos. Ali percebi como eu poderia agir e ser menos duro comigo mesmo.

Estamos vivendo um momento atípico e tudo que menos precisamos é que ele seja algo pesado, que se transforme em um fardo. A escolha pelo bem-estar e amadurecimento diante disso tudo é individual. Essa é uma busca pessoal. Você decide o que “tem que” fazer para si, por si e pelos outros. É você que descobre sozinho a sua forma de lidar. Se cobre menos, se priorize.

Ampliando essa reflexão para a vida, o fato é que a auto cobrança é uma questão difícil de conviver. Nós que sentimentos isso temos que lidar com nossas expectativas e também com as expectativas dos outros sobre nós. Se na vida isso já é um ponto a se trabalhar, imagina só em meio a uma pandemia. É por isso que eu escolhi o caminho mais leve: eu não tenho que nada.